quinta-feira, julho 17, 2008

A ORQUESTRA QUE BEIJÓS JÁ TEVE > "OS CENTRAIS DE BEIJÓS"


ANO UM >1959.

»»» Em Beijós, o bairrismo estava muito acentuado, quase deixava transparecer que, principalmente, os moradores do Areal e do Vale da Loba, não pertenciam à mesma Aldeia.
Talvez nos anos 1957 / 1958, o Beijosense António Tavares (o Polícia) fixou residência na Nossa e sua Aldeia. Pessoa muito alegre. Gostava de se divertir e animar todos quantos estivessem à sua volta. Então, levou para Beijós uma aparelhagem sonora, com um só altifalante cinzento. Na parte interior da campânula, a vermelho, colocou o nome do seu equipamento "Rádio Beijós".
Perante o bairrismo dos Beijosenses, que já era forte, o nosso Amigo Polícia passou a realizar Bailes alternados, um Domingo no Salão da Associação Cultural e Recreativa de Beijós (ACRB), outro Domingo no Largo do Calhau, no Vale da Loba.
A intenção, seguramente, seria a de unir os Beijosenses, procurando que os do Areal fossem ao Bailes ao Vale da Loba e os deste Bairro se apresentassem também nos Bailes do Areal.
Todavia, as discórdias acentuavam-se cada vez mais.
Os Beijosenses sempre foram muito empreendedores, ciosos e muito orgulhosos em tudo o que se dispõem realizar. Ambos os bairros (Areal e Vale da Loba) passaram a considerar-se rivais e, cada qual, procurava efectuar o melhor Baile, aquele que apresentasse a melhor música e conseguisse juntar o maior número de pessoas.
O Nosso Querido Amigo Polícia, vê-se no meio do fogo. Ele morava no Cerradinho / Pisão, mas, ainda que assim não fosse entendido por muitos Beijosenses, convivia muito bem com todas as pessoas de Beijós, tanto estava bem com os do Vale da Loba, como com os do Areal.
Inesperadamente, vendeu o "Rádio Beijós" à Associação, que, a ACRB, passou a dispor de aparelhagem própria para efectuar bailes todos os Domingos. Assim, o bairro do Areal ficou beneficiado, porque a partir dali o "Rádio Beijós" deixou de abrilhantar os bailes no Vale da Loba.
O Vale da Loba, então, reagiu e, inesperadamente, o nosso Querido Amigo João dos Santos Fernandes ( João Gato), pessoa muito influente nesta parte de Beijós, comprou uma aparelhagem sonora nova, que estreou logo de seguida nos Bailes do Calhau.
Não se fez esperar a reacção da Direcção da A.C.R.B., no Areal. Tendo em conta que a aparelhagem que comprara ao Polícia já era bastante usada, decidiu organizar uma Escola de Música, que terá iniciado o ensino, em 9 de Maio de 1959 e, logo de seguida, comprou Sete Instrumentos Musicais. Naquela altura, para aprender música, apresentaram-se muitos candidatos, mas somente sete conseguiram enquadrar a "ORQUESTRA RECREATIVA OS CENTRAIS DE BEIJÓS".

»» Da Direcção da ACRB, de entre outras pessoas, homens decididos, já falecidas, fazia parte o nosso Querido Amigo ALBERTINO PAIS BAPTISTA, que, ao ser por nós contactado, demonstrou elevado orgulho e muita felicidade pelo trabalho que, então, ajudou a desenvolver.
»» Ele era das únicas pessoas que, pelo que o Willoughby presenciou, acompanhava a Orquestra nas suas actuações nas festas ou bailes nas diversas localidades, dos Distritos de Viseu, Guarda e Coimbra.

»» Coube ao Mestre Basílio a árdua tarefa de recrutar e ensinar os elementos que vieram a enquadrar a "Orquestra", que passou a dispor dos seguintes instrumentos:
> Acordeão;
> Trompete;
> Trombone de pistões;
> Bateria;
> Saxofone Barítono;
> Saxofone Tenor;
> Saxofone Alto;

»» Decorrido algum tempo, depois de saberem ler e interpretar regularmente a música, o Mestre Basílio escolheu os seus melhores alunos, que destacamos:
> Vasco Rodrigues Nunes;
> António Pires da Fonseca;
> Josué Caetano da Costa;
> Américo Coelho Gomes;
> Elias Hermínio da Costa Tavares;
> Gabriel Moura Coelho;
> Hortênsio Marques de Sousa.

( Agradecemos a prestimosa colaboração do Grupo de Cantares "Sol e Vento", que gentilmente nos cedeu os sons para recordar os da nossa Orquestra).
Este Grupo de homens fez brilhar a Orquestra de Beijós.
A sua primeira actuação, interpretando dois ou três números do seu inicial reportório, foi nas festas de Verão (Setembro) de 1959, que foram organizadas pelos Beijosenses: ANTÓNIO TAVARES, ANTÓNIO MACEDO e ARTUR CORTÊS, cuja Comissão consta desta lápide que, então, colocaram no coreto do Parque Arnaldo de Castro, em Beijós.
A partir desta sua primeira aparição em público, a Orquestra passou a estar ocupada, nas festas e em bailes, todos os fins de semana.
Com o seu orgulho, este Grupo de Músicos conseguiu levar mais longe o nome da nossa Aldeia, que, até então, era quase desconhecida.
Embora esta sua missão lhe exigisse muitos sacrifícios, todos revelavam imenso prazer no papel que desempenhavam no conjunto. A alegria, o empenho, a dedicação e o orgulho pela música por eles demonstrados em público, nas suas actuações, criava forte entusiasmo na juventude de então, que os acompanhava para todo o lado.

»» Não podemos deixar de realçar a sua postura, nas actuações com outros grupos musicais de elevada fama. Alguns deles chegaram a sentir-se inferiorizados, traçando largos elogios à actuação de "OS CENTRAIS DE BEIJÓS", revelando que, para se conseguirem impor plenamente, necessitavam do excelente vocalista de que a nossa Orquestra dispunha, o Nosso Querido e saudoso Amigo Américo Gomes, baterista, que fazia delirar o público com a sua inigualável voz.

»» A Direcção da Associação, aquando da criação da Orquestra, entregou os instrumentos aos seus músicos e deu-lhes poderes para celebrarem contratos para abrilhantarem as festas e bailes, perante a entrega de uma percentagem desse rendimento para a ACRB.
Essa liberdade de poderem efectuar contratos com quem quer que fosse, sem restrições, levou a Orquestra a aceitar um contrato para um baile a realizar no Vale da Loba, num dos anos de 1960/1961.
Após a realização desse baile, que, perante os diferendos que existiam entre o Areal e o Vale da Loba, melindrou alguns membros da Direcção, os quais decidiram recolher todo o instrumental da Orquestra.
Esta decisão não agradou aos músicos e, os nossos queridos amigos Vasco Rodrigues Nunes, Gabriel Moura Coelho e Josué Caetano da Costa, decidiram não mais enquadrar o conjunto, por se sentirem desautorizados. Posteriormente, as coisas ainda se agravaram mais porque o Vocalista foi acometido de doença grave, que obrigou a uma intervenção cirúrgica muito melindrosa ao cérebro que o impediu de cantar.

»» Houve várias tentativas para reconstruir a Orquestra de uma outra forma, sendo a Associação a celebrar os contratos das suas actuações, mas aqueles músicos que tinham abandonado não aceitaram.
»» Apesar de todas as dificuldades que se lhe depararam a Associação conseguiu organizar de novo a Orquestra, nos anos 1962 /1966, com novos elementos > António Augusto Abrantes (acordeonista), Norberto Melo Pais (Saxofonista) e Zacarias Pais do Amaral (saxofonista e vocalista), mas sempre foram notórios grandes problemas, porque, além dos músicos não terem autonomia, a Associação também lhes não concedia qualquer benefício, nem sequer lhes pagava o sacrifício e o tempo que eles perdiam em ensaios e actuações.

»» Posteriormente, perante o desinteresse de alguns Beijosenses e a falta de alguma iniciativa das Direcções, porquanto, entretanto, a Sociedade Portuguesa de Autores e o Sindicato dos Músicos passaram a apresentar muitas exigências, que obrigavam a grandes investimentos e despesas, para as quais a Associação não dispunha de verbas e não tinha apoios oficiais de qualquer espécie, a ACRB, actual ACDB (Associação Cultural e Desportiva de Beijós), decidiu efectuar a venda de todo o instrumental.

Perante as boas recordações que a nossa Orquestra nos legou, BEIJÓS*CINCO ALDEIAS irá continuar a fazer a recolha de algumas das músicas por ela interpretadas e que, então, fizeram a delicia de muitos Beijosenses, as quais irá procurar divulgar.
Também nos cumpre enviar o nosso Grato reconhecimento aos familiares do Nosso Querido e Saudoso Amigo Hortênsio Marques de Sousa e também ao nosso Querido Amigo Gabriel Moura Coelho, pela cedência das fotografias com que ilustrámos este nosso relato. O Nosso Bem Haja.

Podemos ver também em:

You Tube; >>>> Aqui poderemos votar e também deixar os nossos Comentários.

CANAL "OS CENTRAIS DE BEIJÓS";

BARÓMETRO BEIJOSENSE;


Nota
: Perante as dificuldades em completar os nomes de dois músicos, muito agradecemos a colaboração dos nossos estimados leitores.
> Já está resolvido. Bem haja Carlos Peixeira Marques, pela tua prestimosa colaboração.

PS
. Cumpre-nos aqui referir, para evitar mal entendidos, que os músicos de Beijós ostentam os seus instrumentos. Há um músico à esquerda na fotografia, que não ostenta o seu saxofone, colocou-o ao lado do corpo, este senhor é o Mestre ou Maestro Basílio.

terça-feira, julho 15, 2008

DE BEIJÓS A ÓBIDOS - Visita à Feira Medieval 2008

» Óbidos continua a ser a nossa predilecta sala de Visitas.
» Bem protegida dentro das suas muralhas, a Vila realiza com frequência fortes eventos.
» Há sempre fortes razões para passar por estas paragens, quando mais não seja, pelo permanente ambiente de festa que aqui se vive e onde nos são proporcionados momentos de elevada alegria, como convém para os turistas que aqui se deslocam.
» Durante esta Semana, os visitantes poderão estar no Mercado Medieval, onde não faltarão turistas de todo o Mundo e artigos regionais portugueses, espanhóis, e da América Latina.


» Este Mercado Medieval, em 13 de Julho de 2008, trouxe um mar de gente às Ruas da Vila.
» Para quem passou por este Lugar, pode deliciar-se com o cenário que lhe foi oferecido.
» Não faltaram artigos regionais.
» Aqui e ali Grupos de Animadores deram o seu melhor para atrair os visitantes e proporcionar-lhes momentos de alegria e boa disposição.
» As bancas de produtos alimentares estiveram em maior número, pois não faltavam petiscos para deliciar todos quantos por ali passaram.

Logo à entrada das Muralhas, na Rua Principal, fomos surpreendidos por um Pobre a pedir esmola.
No seu papel, como que envergonhado da sua condição social, simulou tentar desviar-se das nossas câmaras.
Com esse gesto realçou muito bem a pobreza envergonhada que, então, existia .
Aqui está representada uma pobreza extrema. Indigente que se expõe cheio de chagas, para sensibilizar o seu semelhante, para a sua precária forma de vida.
Todavia, ainda que pudéssemos pensar que a figura que encarna o Pobre tivesse realmente alguma necessidade e se propusesse efectuar aquele papel para obter com isso alguns fundos, puro engano.
Pelo que nos foi dado apurar, as pessoas dos mais diversos extractos sociais, tendo orgulho pela sua Terra, dispõem-se a fazer qualquer coisa para a tornar ainda mais conhecida.
Vejamos que a pessoa que efectuava este papel e que, muito bem representa um pobre, numa humildade extrema, é médico Cirurgião nos Hospitais de Coimbra.


Muito bem desempenhado este papel.
Trajes da época Medieval, que davam entrada gratuita a quem deles fizesse uso nesta Feira.


O espaço envolvente do Castelo estava completamente ocupado com as mais variadas exposições.









Uma representação da guilhotina, utilizada para punir criminosos.
Aqui está representada outra forma de punir os criminosos, em épocas remotas.











Este figurante, que fez o especial favor de nos aconselhar o espaço ideal para corrigir qualquer defeito da sua fotografia, retrata a pobreza de determinada época.






O artífice de cestaria de madeira também não poderia faltar.





Treinar jogos de outrora, com as "andas".

Tentando derrubar o adversário, é outro jogo.

A arte de representar também atraiu grande número de adeptos.















O Grupo de cantares de Vila da Feira também esteve representado e actuou na loja dos Escuteiros.
Proporcionou-nos um agradável momento, enquanto degustávamos as codernizes grelhadas, acompanhadas com pão e com a divinal sangria, servidas pelo Grupo de Escuteiros.
Depois assistimos ao invulgar desfile, chamando o público para os tradicionais torneios de Guerra.







































































Aqui e desta forma, encerra os torneios de Guerra.
Como esta imagem bem documenta, foi um encerramento brilhante. Uma conjugação total, um entendimento perfeito entre cavalo e cavaleiro. Isto revela bem o querer dos homens e a vontade de realizar tudo o que possa proporcionar momentos de lazer e de alegria, a quem visita a Vila de Óbidos.
Foi assim, no dia 13 de Julho de 2008. Não há dúvidas que foi um encerramento com chave de ouro, daquilo que, muito embora baseada em factos históricos, não parecia à partida mais do que mera brincadeira de jovens e adultos. A todos os intervenientes BEIJÓS*CINCO ALDEIAS, deixa os seus elogios. Parabéns pelo esforço e pelos belos momentos de alegria que conseguiram dar aos visitantes.

Não podíamos deixar de falar do pão medieval que trouxemos daquela feira. Realmente, é medieval em tudo. Não há faca que o consiga cortar, nem dentes para o trincar. Isto somente com dentes de betão.... mas.... reforçados.
Ao anoitecer, já de regresso a casa, ainda fomos presenteados com a actuação deste excelente Grupo Coral.