É preciso renascer
É preciso renascer
Deixai ódios, violências
É preciso renascer
Eis a nova que venho dar-vos:
Amai todos sem distinção
Porque todos somos irmãos
Aceitai, aceitai, aceitai
O Reino de Deus.
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NÃO SE FOGE DAS VISTAS DE DEUS
"Que os revoltados e os maus fujam e se escapem!
Vós vêde-los e distingueis as suas sombras.
Convivem com todos os seres belos e eles são feios!
Que prejuízo Vos causaram?
Em que ponto desonram o vosso império que permanece íntegro e justo, desde os céus ao profundo dos abismos?
Para onde fugiram, quando fugiam do vosso rosto?
Ou em que lugar os não encontrais?
Fugiram para Vos não verem, a Vós que os estais vendo!
Mas, obcecados, deparam convosco, porque não abandonais nada do que criastes.
Injustamente Vos ofenderam e justamente são castigados.
Subtraindo-se à vossa benignidade, encontraram a vossa justiça e caíram sob a vossa severidade!
Naturalmente, ignoram que Vós estais em toda a parte, sem que nenhum lugar Vos circunscreva, e que estais na presença dos que vagueiam longe de Vós! Que se convertem e Vos procurem, porque Vós não abandonais a vossa criatura como eles abandonaram o seu Criador.
Convertam-se e procurem-Vos, já que estais no seu coração, no coração dos que Vos confessam, dos que se lançam em Vós e choram no vosso seio, depois de percorrerem os caminhos da perdição.
Carinhosamente lhes enxugais as lágrimas e tanto mais gozam com os prantos quanto mais choram, porque não é o homem, nem é a carne e o sangue, mas sois Vós, seu Criador, que os robusteceis e consolais.
Onde estava quando Vos procurava?
Vós estáveis diante de mim; eu, porém, apartava-me de mim, e se nem sequer me encontrava a mim mesmo, muito menos a Vós!"
In Confissões de Sto Agostinho - p 90.*******************************************************
QUEM ACULTURAVA OS BEIJOSENSES
Estamos no período Quaresmal e entendemos que não haverá melhor oportunidade para falar das coisas boas que temos em Beijós.
Pegámos nos Versos que antecedem, e no texto extraído das Confissões de Santo Agostinho, trouxemo-los aqui, porque de alguma forma nos inspiram.
Temos consciência de que a sociedade está em constante mutação.
Contudo, ficamos tristes quando vimos que alguns valores vão decaindo.
Enquanto outras comunidades tendem em preservar o seu património cultural e religioso, na nossa Terra vamos assistindo à sua degradação, por desinteresse de muitos Beijosenses.
A história de Beijós não é diferente da de qualquer Aldeia. Ela tem que ser construída a todo o momento, ao longo de décadas ou até de séculos.
Outrora, quem instruía o nosso Povo?
O Professor, na escola, ontem como hoje, cumpria a sua tarefa, ensinando a ler e a escrever e, aproveitando para corrigir condutas desviantes na população escolar, ia instruindo os seus alunos, procurando construir entre eles uma sã convivência naquela sociedade em crescimento e em contínuo aperfeiçoamento.
Temos consciência de que muitos pais não conseguiram aprender a ler nem a escrever, porque a isso não eram obrigados e, depois, já adultos, a luta da vida lhes desviou as ideias para as ocupações no trabalho real de onde obtinham o sustento da família que, entretanto, constituiram e privou-os de um bem essencial. Por isso, iletrados, o que sabiam ou aprendiam provinha de algumas conversas em sociedade.
Geralmente, a educação dos filhos era confiada quase em pleno ao professor.
O Padre, a quem o nosso Povo sempre dispensou muito carinho e respeito, quer na Igreja, quer nas escolas ou nas ruas, complementava com as normas de convivência moral e religiosa.
A via do respeito pela justiça divina ia ao encontro da sã convivência em sociedade e das regras da justiça humana.
Muitas foram as pessoas que, dizendo sim ao apelo da religião, ao longo dos tempos, sacrificaram as suas vidas privadas e dedicaram-se de alma e coração à educação das crianças de Beijós.
A melhor recompensa que obtiveram desse seu esforço foi a de verem os seus instruendos encaminhados numa vida social normal.
Poderíamos enumerar algumas dezenas dessas pessoas.
Fomos ao seu encontro e sentimos nelas a alegria que ainda guardam desses tempos em que se dedicaram às nossas crianças. Não esconderam a satisfação quando nos revelaram "que ensinaram, mas que aprenderam muito mais do que aquilo que ensinaram".
Maravilhoso!
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QUE FUTURO ESTAMOS A CONSTRUIR?
Agora vemos que muitos Beijosenses, dizendo-se laicos, têm-se afastado da Igreja e de tudo o que é religioso.
Os nossos avós legaram-nos património que, assim, vamos deixar perder.
Nas cerimónias religiosas raramente se vêem crianças e jovens.
Procurámos saber o que se está a passar e concluímos que há algum desleixo por parte dos pais.
Os progenitores não estão nestas cerimónias, mas também se não preocupam com a educação religiosa dos filhos, a quem ouvimos dizer "- a missa é uma grande seca".
Mas é estranho.
Os jovens não estão nestas cerimónias, mas estão no café!
Não frequentando minimamente a Igreja, desconhecem como devem ali comportar-se.
Se em vez da Igreja frequentam o Café, aquando de uma festa religiosa, um baptizado ou de casamento de algum familiar, em que tenham que estar presentes, irão adoptar a postura que têm quando estão no café, perturbando com vozearia o sossego de quem estiver ao seu lado.
Dá a ideia que alguns Beijosenses estão a fugir da vista de Deus. Mas isso é impossível.
Ao menos poderiam encaminhar os filhos, para que eles possam aprender outros caminhos mais condignos. - Deixai que eles sejam diferentes de nós e que sejam eles a preservar o património cultural e religioso que os nossos avós nos legaram.
Se os pais fogem da vista de Deus, deixai que os filhos renasçam.
Desejamos a todos os Beijosenses uma Santa Páscoa.
