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sábado, abril 17, 2010

BEIJÓS > DOMINGO DE PÁSCOA 2010

PÁSCOA

Passagem da morte à vida.
Tempo de passagem, tempo de mudança.
Páscoa - Primavera época em que na natureza animais e plantas reaparecem.
É uma boa altura para nos reinventarmos e de buscarmos novas oportunidades.
Se, para realizarmos determinadas obras nos faltou coragem, talvez seja uma boa época para inovar e reiniciar a caminhada rumo à vitória.
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2010.ABR.04 - DOMINGO DE PÁSCOA E A VISITA PASCAL

Ano após ano sempre aparece qualquer coisa de novo em Beijós.
Há cerca de uma dúzia de anos que as festas religiosas da Páscoa têm vindo a sofrer alterações.
Os Padres têm celebrado a Missa Dominical e depois entregam a visita Pascal aos leigos, incluindo na equipa um seminarista.
Atentando na falta do padres, os Beijosenses lá se vão resignando e têm aceitado estas alterações.
O Reverendo Padre José Júlio, então, estando entregue também da Paróquia de Cabanas de Viriato, não estava na Visita Pascal de qualquer das paróquias:
a) - Em Cabanas deixava que ela fosse realizada pelos Padres Franciscanos, que se deslocavam da cidade do Porto.
b) - Em Beijós orientava a visita com os leigos e com o seminarista, tendo ele depois o cuidado de supervisionar o trabalho por eles realizado.
Assim, não havia razão para que os Beijosenses se sentissem discriminados.
NO ANO DE 2009
Quando já se falava que não ia haver Padre para a Visita Pascal, inesperadamente, o Senhor Bispo de Viseu enviou o Rev. Padre Mário, Reitor do Seminário Maior da Diocese, que muito animou a visita aos paroquianos.
NO ANO DE 2010
As celebrações pascais trouxeram outras surpresas aos Beijosenses.
O Rev. Padre Valmor não celebrou Missa na nossa Aldeia e enviou a Beijós as irmãs Manola e Glória (Freiras residentes em Currelos), para as celebrações e para a visita Pascal.
Nós estivemos lá e constatámos que a irmã Manola seguiu todas as práticas religiosas de uma Missa Tradicional, com excepção da Consagração. Contudo, ela esclareceu que o Rev. Padre Valmor deixara tudo preparado para que fosse servida a comunhão, tornando tudo mais fácil.

No final dos actos litúrgicos, seguiu-se a visita Pascal normalmente.
Notámos que um ou outro Beijosense demonstrava alguma tristeza, mas, por entre algumas vozes dissonantes, havia sempre uma outra a contrapor e a aconselhar calma, paciência e ponderação, na viva esperança de que o Sol voltará a brilhar e a aquecer a nossa Paróquia.
Apraz-nos salientar e enaltecer a forma como os Beijosenses viveram este dia.
Enquanto a Visita Pascal decorria, as pessoas, como de costume, iam-se movimentando pelas ruas da nossa Aldeia, num são convívio com grupos de amigos que iam encontrando pelo caminho.
Afinal a Visita Pascal também serviu e servirá para reforçar os laços de amizade entre Beijosenses, os que estão e os que chegam e que, depois, têm que regressar aos seus afazeres noutras paragens!
Os Beijosenses não podiam ter outra postura. É mesmo assim a forma de estar desta gente trabalhadora, ordeira e honesta.
Os Nossos sinceros Parabéns!
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Difundimos algumas fotos para melhor ilustrar como se viveu o Domingo de Páscoa na nossa Aldeia.

quinta-feira, abril 15, 2010

BEIJÓS > EM SEXTA FEIRA SANTA 2010


2010.ABR.02 - SEXTA FEIRA SANTA

Depois das cerimónias na Igreja Paroquial de Beijós, como os mais anos, seguiu-se a Procissão da Paixão pelas Ruas da Nossa Aldeia.
O tempo, ainda que chuvoso, abriu umas tréguas.
A Procissão ainda chegou ao Lugar de Além, mas, aquando do regresso para seguir para o Areal, a chuva começou a cair e, para evitar que o Palio se molhasse, que iria estragar-se, o Reverendo Padre Valmor decidiu regressar à Igreja, dando por findos os actos religiosos, daquele dia.
Apesar do mau tempo, tudo correu bem e juntou muitos Beijosenses, conforme podemos observar pelas fotos.

quarta-feira, abril 14, 2010

BEIJÓS > DOMINGO DE RAMOS 2010

2010.MAR.103028 - DOMINGO DE RAMOS

Mais um ano em que a tradição se cumpriu a partir do Miradouro do Outeiro da Cadina.
Os Beijosenses, evocando a entrada Triunfal de Jesus em Jerusalém (Mateus 21.1-11), compareceram com o seu ramo de oliveira naquele maravilhoso local.


Ali o Reverendo Padre Valmor iniciou as cerimónias, com a bênção dos Ramos, seguindo-se a habitual procissão enquadrando todos os fiéis, rumo à Igreja Matriz, onde foi Celebrada a Missa Dominical.
Estas celebrações já é tradição serem as mais concorridas do ano. Jovens, ou mais idosos, todos os Beijosenses se apresentam com o seu ramo de oliveira, para participarem nas cerimónias.
Dado que o Miradouro tem acessos pelas duas encostas do outeiro, a Procissão dos Ramos é feita alternadamente, um ano por uma outro ano pela outra encosta. Por isso, como nos é dado observar, os anos pares (2010) desceu pelo Vale da Loba, os anos ímpares (2011) descerá pelo Areal.

sábado, setembro 26, 2009

NA PEUGADA DE BEIJOSENSES

POR ONDE ANDARÃO OS BEIJOSENSES?


Poderíamos dizer que são fotografias para um programa dos "apanhados" da TV.
Não há dúvida que este ilustre Locutor da Rádio/TV foi por nós apanhado no Air Show09, em Évora.

Para nós também foi surpresa, quando descobrimos que ele era um amante do Aeromodelismo.
Contudo, foi bom tê-lo encontrado ali. Assim, pudemos confirmar as indicações do Nosso Querido Amigo JOÃO PEIXEIRA MARQUES, a quem já tivemos oportunidade de pôr a mesma questão.
Nestas coisas de investigação temos que ser audazes e "...não deixar para amanhã o que se pode fazer hoje..."
Temos que aproveitar todas as oportunidades, porque amanhã poderá ser tarde.
Ousados, sem preconceitos q.b.:
"(...)
BCA - Dá-nos licença que lhe ponhamos uma questão?
JI- Façam favor!
BCA - Somos de Beijós, concelho de Carregal do Sal, Distrito de Viseu. Na nossa Aldeia consta que o Senhor terá ascendência Beijosense?
JI - É mentira! (...)"
Tinha razão o Nosso Querido Amigo Peixeira, quando, delineando a família «Campos Pais» de Beijós, nos informou que não era possível.
Pronto!
Assim, ficamos com as dúvidas definitivamente tiradas.
Os antepassados do Ilustre Locutor da Rádio e TV, JÚLIO ISIDRO, não eram de Beijós.





domingo, setembro 13, 2009

BEIJÓS > CÁRITAS PAROQUIAL > A CONCRETIZAÇÃO DE UM SONHO

EDIFÍCIO-SEDE E CENTRO DE DIA DA CÁRITAS PAROQUIAL DE BEIJÓS
Funcionamento:
»»» Neste edifício, sito na Rua Abade Pais Pinto, espaço contíguo à Junta de Freguesia, em Beijós, funciona o Centro de Dia, onde os respectivos utentes têm os seus convívios durante a semana (de 2.ª a 6.ª Feira), entre as 09H00 e as 16H30.
Telefone 232 672 047.
»»» Logo pelas 09H00, três carrinhas vão de Aldeia em Aldeia fazer o transporte dos idosos para o Centro de Dia, onde permanecem até às 16H30, altura em que, depois do lanche, são de novo transportados para as respectivas residências.
Serviços de Apoio:
»»» Possui cozinha e refeitório, para confeccionarem e servirem as refeições aos idosos, a Cáritas também dá apoio aos alunos do Ensino Primário e Infantil, servindo-lhes os almoços. Ao fim do dia, cada utente, de regresso a casa, leva consigo os alimentos confeccionados para comer ao jantar.
»»» Possui um serviço de apoio domiciliário-externo, não só em Beijós, mas também nas Aldeias vizinhas, designadamente, Pardieiros, Póvoa da Pégada, Penedo, Aguieira, Pedra Cavaleira, Moreira, Sangemil, etc.
»»» Este apoio domiciliário, além das refeições que servem aos utentes, inclui as limpezas das suas residências, higiene pessoal e o tratamento das suas roupas.
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A SUA HISTÓRIA
Descrever a história da Cáritas Paroquial de Beijós será, para qualquer Beijosense, uma ambição.
Estamos cientes de dificuldades que teremos que transpor. Mas iremos procurar dar a conhecer ao Mundo a História desta Instituição, para que se possa ajuizar os sacrifícios e preocupações de muitos Beijosenses, que impulsinaram a sua criação.
Também iremos procurar descrever os benefícios que a Cáritas trouxe para a nossa Aldeia, por forma a sensibilizar os mais cépticos para que passem a acreditar mais nesta Instituição e no trabalho de todos aqueles que têm tido a responsabilidade de a gerir, através dos tempos.
O PRIMEIRO SINAL
Sejamos crentes ou não, temos que aceitar que Deus permite que o homem dê sempre os passos certos, em qualquer fase da sua vida.
Ele, como força dominante do Mundo em que vivemos, indica os caminhos mais seguros que a humanidade deve percorrer.
»»» Um telefonema
Estamos no ano de 1983 do Século XX.
»»» O Nosso Querido Amigo Agostinho Marques do Nascimento desempenhara as suas funções profissionais na Direcção-Geral dos Hospitais, em Lisboa, até à década de 70, também do Século passado, altura em que, por razões da sua vida particular, emigrou para a Alemanha.
Nestas suas funções na DGH-Lisboa, também tinha por missão colaborar no Apoio Social a diversas instituições de solidariedade social, razão por que os seus préstimos eram solicitados directamente, para encaminhamento de alguns dos pedidos.
»»» Diziamos que, no ano de 1983, vindo da Alemanha um camião carregado de roupas bateu à porta de uma Congregação Religiosa, sita em Camarate, Lisboa. Esta Instituição sentiu enormes dificuldades em aceitar esta dádiva e procurou enacaminhá-la para a Cáritas Portuguesa, com sede em Lisboa que, por sua vez, talvez por falta de espaços e de meios humanos para fazer a respectiva distribuição pelos mais necessitados, também não aceitou essas roupas.
»»» Os responsáveis pela Congregação Religiosa, embaraçados com aquele maravilhoso presente que a Alemanha enviara para os pobres de Portugal, procurou ultrapassar as dificuldades, para evitar que aquele camião regressasse com a carga à Alemanha, porque daí, seguramente, viriam muitos prejuizos para aquela Instituição, que sempre contou com os apoios estrangeiros.
»»» Então, um telefonema para o Beijosense, o Nosso Querido Amigo Agostinho M. do Nascimento que, então, já pensava seriamente em regressar a Portugal, fez com que ele se lembrasse dos pobres de Beijós.
»»» O despertar de um desejo
Este Nosso conterrâneo, que nunca esqueceu a sua Aldeia, lembrou-se que por ali, quer em Beijós quer nas aldeias vizinhas, haveria muitas pessoas de fracas posses que necessitavam de ajuda.
Ele, que põe a sua parte humana sempre à frente de todo o resto, decidiu indicar o caminho de Beijós aos responsáveis pela Congregação Religiosa que, amavelmente, o tinham contactado. Assim, o mesmo camião que veio da Alemanha passou pela nossa Aldeia e ali descarregou as roupas que transportava.
»»» Terá sido, então, tarefa árdua para o Saudoso e Reverendo Padre AGOSTINHO DA CUNHA NETO, que, como responsável pela Paróquia de S. João Baptista de Beijós, inesperadamente, teve que organizar o melhor que pode a distribuição daquelas roupas.
OS PRIMEIROS PASSOS
»»» Ciente de que poderia ser muito útil no Apoio Social aos mais desfavorecidos, tarefa que sempre desempenhou na DGH, o Nosso Querido Amigo Nascimento, procurou ajudar a criar em Beijós uma instituição que apoiasse os seus conterrâneos mais idosos.
»»» Apesar de se encontrar ainda emigrado na Alemanha, ele alimentava o desejo de criar em Beijós a instituição com que sonhara.
»»» Mesmo lá de longe, sempre foi desenvolvendo as iniciativas de Apoio Social, fazendo com que as Instituições quer portuguesas quer estrangeiras tivessem em consideração a sua e nossa Aldeia e distribuissem ali também algumas das suas dádivas.
»»» Regressado a Beijós definitivamente, no ano de 1984, logo se lançou em promover a criação de um espaço para que os idosos e os mais carenciados pudessem ser acarinhados e apoiados na sua alimentação, principalmente durante o dia.
(...//...)
By Willoughby

quinta-feira, julho 30, 2009

BEIJÓS E AS RUÍNAS DO BAIRRO DO OUTEIRO DOS CASTELOS


AS RUÍNAS DO BAIRRO DO OUTEIRO DOS CASTELOS


Pela Páscoa de 2009 subimos ao Outeiro dos Castelos para, dali, apreciar a paisagem sobre Beijós.

Há 50 anos, aquele Bairro era habitado por humildes agricultores, a maior parte dos quais trabalhavam no seu dia-à-dia nos terrenos por conta dos respectivos proprietários.

Os antigos moradores daquela parte de Beijós já faleceram. Os herdeiros procuraram outros lugares para construírem casas novas e o Bairro do Castelo ficou abandonado. Parte das casas estão devolutas, sem telhado, conservam-se somente as paredes de granito.

Os acesso são péssimos. Ninguém ali pode chegar de automóvel, mas é uma pena que as Autarquias tenham estado a autorizar a construção de prédios novos naquela zona. Como vimos, os novos edifícios estão a destoar dos históricos casebres que ainda por lá existem. Não tem havido a devida preocupação em preservar o traçado histórico daquele Bairro.

Agora está habitado somente pelas famílias:

> Borges;
> Cortês;
> Almeida;
> Loureiro Augusto;
> Veloso;
> Silva;

Além da degradação dos prédios, constatámos a existência das habituais lixeiras, um pouco por todo o lado. Alguns moradores não se preocupam em preservar o casario e o pior é que ainda se propõem a vandalizá-lo.

Estamos convictos que a Junta de Freguesia de Beijós irá empenhar-se na recuperação do casario e dar àquele espaço o destino que bem merece, ainda que seja para, de alguma forma, poder atrair alguns visitantes.

Vai sendo tempo de as Autarquias elaborarem um projecto condigno para aquela área, que certamente já fará parte do respectivo PDM, com vista à sua recuperação, reconvertendo - a num espaço de lazer e de passeio turístico.

sexta-feira, julho 10, 2009

BEIJÓS > E A SUA IGREJA MATRIZ

PARÓQUIA DE SÃO JOÃO BAPTISTA DE BEIJÓS
Se nunca esteve na Igreja Paroquial de Beijós, entre connosco e irá ficar deslumbrado com a sua riqueza em talha dourada.

Nesta imagem, colhida no Domingo, 28 de Junho de 2009, poderá observar toda a beleza que esta Igreja oferece.

Clik na Imagem para melhor a poder observar.


No concelho de Carregal do Sal, não encontrará jóia igual.
Aqui, em 18 de Fevereiro de 1908, celebraram o seu casamento Católico ARISTIDES DE SOUSA MENDES e MARIA ANGELINA COELHO DE SOUSA MENDES, nascida em Beijós a 20 de Agosto de 1888.

quinta-feira, abril 02, 2009

O "PISÃO" EM BEIJÓS - De fábrida de tecelagem a Bairro Habitacional

Em Março de 2009, propusemo-nos iniciar o estudo do Pisão, em Beijós. Situa-se ao redor da Estrada Nacional 337, já à saída da Povoação, para Norte, em Direcção a Sangemil - Viseu.

Pisão, actualmente, é um Bairro da Aldeia de Beijós.  
A origem do nome (Pisão) provém de uma fábrica hidráulica de tecelagem, que outrora existiu próximo da Ponte sobre a ribeira, na E.N.  n.º 337. 
A água para mover os equipamentos passava por um pequeno aqueduto por debaixo da ponte, na margem esquerda da ribeira. 
 

De cima da ponte, olhando para Poente, para a foz da ribeira, encontramos uma levada ou açude, de onde eram desviadas as águas, para alguns moinhos que antecedem o edifício onde funcionou o pisão. Todavia, no mesmo edifício, de um lado também funcionou um moinho, do outro funcionou a tecelagem. 



Ainda encontrámos as ruínas dos moinhos, com as respectivas Mós, mas tudo desactivado, porquanto, nos últimos tempos, as pessoas, perante a facilidade em comprar pão nas padarias, deixaram de o fabricar em casa, e, por isso, a profissão de moleiro foi perdendo o interesse por não ser rentável.  



Estes moinhos além do aproveitamento que tiveram para moagem dos cereais, cuja farinha se destinava ao consumo humano e à engorda de gado, foram a habitação, durante muitos anos,  dos respectivos moleiros.
»  (Na altura em que colhemos as imagens a ribeira ainda apresentava um razoável caudal). 
Aliás, as pessoas que trabalhavam na moagem dos cereais tinham necessidade de permanecer junto das Mós, para lhes darem assistência. 
 

De moinho em moinho, chegámos finalmente ao edifício onde funcionou o Pisão. Neste Pisão, segundo apurámos, eram tecidos (fabricados) cobertores de lã de ovelha, natural. 
»(Edifício do Pisão)
» A porta que se apresenta nesta parte do edifício, serviria para dar assistência às turbinas que a água movia. Sim, porque, então, tudo era feito de madeira, incluindo essas turbinas

É notório o estado de degradação dos telhados do edifício. 

Perante a industrialização do sector dos lanifícios, estas pequenas fábricas deixaram de ser rentáveis e este Pisão terá deixado de funcionar na segunda/terceira década do Século XX. 

Neste piso, no interior do edifício, agora quase a céu aberto, por lhe ter caído ou, sido removido o telhado, funcionou o dito pisão.
Foi neste salão que, com algum equipamento rudimentar que terá sido destruído pelos proprietários, foram fabricados muitos cobertores.

A vegetação espontânea foi tomando conta das paredes e, assim, tem-se tornado " habitante" natural do edifício.


Essa vegetação cobriu as paredes e tapou as cavidades onde assentava o Pisão propriamente dito. Bem procurámos os vestígios, mas o tempo, com as chuvas, tudo tem apagado.
Descemos à parte inferior do imóvel, para analisar o local por onde a água passava e fotografarmos os rodízios ou outros engenhos, mas não fomos felizes nesse aspecto.

Contudo, conseguimos ver a cale por onde a água passava, em direcção ao rodízio, mas este equipamento também terá desaparecido.
 





Hoje, apesar de não conseguirmos ter noção das dificuldades que, quer os proprietários, quer os respectivos moradores ou inquilinos, teriam tido, temos que aceitar que a falta de lenha com que se debatiam, uma vez que não havia gás ou outro combustível para aquecimento ou para cozinharem os alimentos, originou a queima das madeiras dos equipamentos de que dispunha o Pisão
 
Aqui vemos a boca do inferno, por onde saía a água que movia o moinho que funcionou no edifício do pisão

Apesar de poucas esperanças nos restarem, vamos continuar atentos e, se algumas dicas mais nos chegarem, voltaremos a este tema, aprofundando a história do Pisão de Beijós. Temos pena que os pisoeiros da nossa Aldeia talvez já tenham falecido. 
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Ignoramos como os Beijosenses designavam este local, antes de ali ter sido criado o Pisão. Todavia, depois de a tecelagem Pisão passar a funcionar, as pessoas habituaram-se a falar do Pisão. Assim, naturalmente, passaram a chamar esse nome ao local e ao espaço (propriedades - terrenos) que envolvia o edifício onde funcionava a fabrica, que agora, com a expansão da Nossa Aldeia,  já é um Bairro de Beijós, de que falaremos noutro Post

segunda-feira, março 23, 2009

BEIJÓS E A TRADIÇÃO DA AMENTA OU EMENTA DAS ALMAS

Há dois anos que nos propusemos desenvolver este tema. 
Voltamos a falar dele, porquanto é uma Tradição que nos parece estar a desaparecer na nossa Aldeia. 

Outrora, citámos algumas pessoas que enquadraram o grupo da Ementa das Almas. 
Muitas houve que não foram referidas. 
Felizmente que, agora, correndo de boca em boca das gentes da Nossa Aldeia, a mensagem chegou à D. Fernanda, a quem estamos muito gratos, por, amavelmente, nos ter facultado um documento que, religiosamente, guardava, com os versos que um Grupo,  de Homens e Mulheres,  cantava em Beijós e arredores, durante a Quaresma.
  
Vejamos:
___________________________________________
EMENTA DAS ALMAS

I
Ó meu Deus eu venho tarde
Confessar as minhas culpas, 
Pecador arrependido
Vale mais tarde do que nunca. 

II
Lá em cima do Altar-Mór
Está um craveiro na Cruz, 
As folhinhas que ele deita, 
É o sangue de Jesus. 

III
Acordai Fiéis Cristãos
Desse sono em que estais, 
Lembrai-vos das vossas Almas, 
Lembrai-vos delas Lembrai; 
Queira Deus não sejam elas 
Vossas Mães e Vossos Pais, 
Vossas Mães e Vossos Pais, 
É bem que nos lembremos, 
Que havemos de morrer, 
Mas a hora não sabemos. 

IV
Lá em cima do Altar-Mór, 
Está um tanque de água fria,
Onde se lavam os Anjos
E também a Virgem Maria.  

V
Acordai Fiéis Cristãos, 
D'esse sono tão profundo, 
Lembrai-vos das Vossas Almas, 
Que já estão no outro Mundo. 

VI
Que já estão no outro Mundo, 
Na Graça de Deus ficaram, 
E vós estais esquecidos, 
Nem pela Alma lhes rezaram. 

VII
Lá em cima do Altar-Mór, 
Está um Pavilhão dourado, 
Debaixo do Pavilhão, 
Está Jesus Cristo Sagrado. 

VIII
Ó Meu Senhor do Calvário
Vossa Cruz é de Oliveira, 
 Sendo Vós o Mais Lindo Cravo
Que nasceu entre a Roseira.

IX
Meu Senhor da Alva Roxa
Vestidinho de Retrós, 
Ó me dai boa Ventura
Ó me levai para Vós. 

X
À Porta das Almas Santas, 
Bate Deus a toda a hora, 
As Almas lhe responderam 
Ai Meu Deus,  que quereis agora?

XI
Quero que venhas comigo, 
Para o Reino de Glória, 
Ainda não estou preparada, 
Mas... Ai meu Deus será agora? 

*********
(Autor Desconhecido)
« Cantares de tradição Popular» 
________________________________________

Dada a solenidade religiosa da Quaresma, a entoação dos versos era feita com voz grave e arrastada, muito lenta, quase como um lamento. 
As vozes do Grupo, saídas do escuro e do silência da noite, acordando parte dos habitantes das Aldeias, causavam arrepios, cuja sensação nos levava,  inevitavelmente, a recordar as Almas dos nossos familiares já falecidos. 
Aliás, a Ementa das Almas tinha e tem essa finalidade, como os próprios versos revelam. 

Esperamos contribuir para que esta tradição se renove, enquanto houver Beijosenses que nos ensinem a música. 

quarta-feira, março 18, 2009

BEIJÓS E A PRÉ-HISTÓRIA - Os Homens das Cavernas

É Grande a nossa motivação para as pesquisas do desconhecido. 

Chegámos ao Bairro do Moleiro Novo, na Ribeira. Este local cativou - nos  fortemente. Jamais poderemos deixar de percorrer o mesmo percurso, nas nossas investigações. 

Isso criou em nós forte vontade de prosseguir e de divulgar tudo aquilo que nos anima. 

Ouvimos falar do "CHICO CALDEIRÃO". 

> Foi Moleiro; 
> Foi Pastor;
> E talhante... 


Fomos descobrir as ruínas das casas que ele terá habitado, para Poente do Bairro do Moleiro Novo, na Ribeira, na margem direita do rio, em direcção a Ferreiroz do Dão.  




Em anexos à sua habitação, ele alojava o seu gado, designadamente os cavalos ou jumentos e as ovelhas.  




Ali matava e comia as suas rezes, cuja carne, por vezes, também vendia pelas Aldeias vizinhas.




Na ombreira do portal, ainda vemos as dobradiças que suportaram a porta de madeira com que fechava a casa. 



Nestas casas não havia moinho. Os moinhos que utilizavam estavam mais próximos do leito da ribeira, em local onde as respectivas águas tivessem acesso directo. 





Podemos ver o forno onde cozia o seu pão. 





Mesmo ao lado da porta do forno, descobrimos uma pia, com um furo no fundo, vertendo para a parte lateral. 




Analisando ao pormenor, concluímos que aquela pia, em pedra, foi a masseira, onde faziam as massas e onde o pão levedava. 

Temos que ter em atenção de que, a proximidade do calor do forno, ajudava a levedar as respectivas massas. 




A pia que servia de masseira. 




Aqui é bem visível o furo, para a parte lateral da pia. Quando pretendiam lavar a masseira, não era necessário mexê-la. Bastava tirar a rolha ou vedante e deixar que a água saísse, para o exterior. 
 



A proximidade do rio, facilitava a vida das pessoas. 



Andámos um pouco mais para Poente, na margem esquerda da ribeira,  numas fragas, em local inacessível de outra forma a não ser a pé e, mesmo assim, com muitas dificuldades, fomos encontrar umas grutas, onde terá vivido o "SERAFIM do MIGUEL", com o seu cão  "O Dinheiro".  








As paredes, tudo em ruínas, com o tempo, desmoronaram




Uma espécie de pia, cavada na rocha. Poderíamos pensar que serviu de tigela para porcos, mas, pelo que apurámos, ficou-nos a ideia de que o Serafim punha ali os seus alimentos, punha ali a sua mesa, sobre o resto da rocha e dali comia a sua sopa ...


Aqui vemos socalcos cavados na rocha, na parte exterior da gruta, que fica a cerca de 10 metros de altura, na encosta Sul da Ribeira, para o lado de Cabanas de Viriato. Pelo que apurámos serviram de suporte de madeiras, que suspendiam um telheiro, certamente palhota, porquanto não há vestígios de telha. , 



A gruta não se consegue ver de longe, por estar coberta com a vegetação espontânea e árvores. 



Procurámos passar para a margem direita da ribeira, para investigar outros vestígios.  





Os acessos não são fáceis. O pontão de madeira que une as duas margens está em muito mau estado de conservação. 





Confessamos que chegámos a sentir suores frios, depois de o ter atravessado, porque o nosso sistema nervoso alterou-se, perante o receio de a estrutura partir e, consequentemente, cairmos no rio, em cujo local passariam cerca de dois metros de altura de água, por entre as rochas. 



Antes de atravessarmos o rio, despertou-nos a curiosidade, um suporte de pedra, saliente sobre a Ribeira, na margem esquerda. 



Esta estrutura serviu de apoio, para retirar água de balde, para as culturas naquele local. As pessoas colocavam-se sobre aquela pedra, e com uma picota, com um balde colocado na ponta da vara, lançavam o balde vazio ao leito do rio e, de regresso, suspenso pela vara da picota, içavam-no cheio de água, que, balde seguido de balde, durante muitas horas, em tempos que não havia motores de rega, vazavam e regavam as suas plantações de milho, de batatas, de hortas, etc.  Tudo foi abandonado.  




Na margem direita da Ribeira, fomos encontrar estes rochedos, que formam uma espécie de lapa. 



Aqui se protegeram muitas pessoas, quer do frio quer do calor e até das chuvas. 

Mas esta lapa abrigou muitos dos agricultores que necessitavam de regar os seus campos. 
Ali tiveram que dormir muitas noites, para chegarem a tempo de utilizar as águas da ribeira, antes que outros lhas tirassem primeiro, para as suas culturas. 

Além disso, aquela lapa também serviu de residência do "VIDINHA", indivíduo solteiro, que por ali desempenhava a sua profissão de agricultor. 




Em conclusão, mesmo em pleno Século XX, tivemos bem perto de Beijós, os Homens das Cavernas.

»»» Pensamos que estas ruínas estão integradas no espaço do concelho de Carregal do Sal. A Masseira que apresentámos está ali abandonada, quando poderia muito bem fazer parte do espólio do Museu Municipal.

Esperamos que o nosso alerta traga boas notícias, oportunamente.