
Fogueira de S. João.
Noite de S. João
Dia 23 de Junho de 2007
Véspera do dia de S. João. Noutros tempos acendiam-se, nalguns largos ou ruas da nossa aldeia, as fogueiras de rosmaninho, com que os jovens se divertiam, saltando passando sobre o fumo que delas ascendia.
Era uma alegria, para a mocidade.
O cheiro ao rosmaninho queimado pairava no ar durante grande parte da noite.
Ainda que essa tradição se mantenha, como nos ilustra a imagem, outros convívios passaram a fazer parte do início da festa.
Há alguns anos que, pelo que
BEIJÓS-CINCO ALDEIAS apurou, um grupo de moradores do Bairro da Eira, em
Beijós decidiram criar o seu
próprio convívio no largo junto aos muros da casa do Nosso Querido Amigo, que Deus lhe fale na Alma, António Marques, em frente ao pinhal da vinha da eira. Aí acendiam uma fogueira, para fazer brasas onde assavam a sardinha para o jantar. Juntavam-se os respectivos familiares, trazendo consigo algum vinho, para acompanhar a sardinha, na refeição.
Boa iniciativa esta, porque de ano para ano este jantar vem sendo publicitado e, consequentemente, tem vindo a juntar, entre alguns curiosos que,
espontaneamente, acabam por se associar, muitos amigos, o que, orgulhosamente, se mantém.
Tudo bem! O Outeiro do Moinho, no canto do Vale da Loba, procurou seguir-lhes os passos. As pessoas deste e dos Bairros vizinhos, como o da Tapada, passaram a juntar-se e a organizar naquele canto de
Beijós, também o seu próprio convívio, que mantêm esporadicamente. Vê-se que os extremos, Nascente e Poente, de
Beijós procuram organizar-se para conviver.
Todavia, há três ou quatro anos para cá que as comissões das festas de S. João Baptista passaram a organizar um convívio mais abrangente, que contempla toda a população de
Beijós e seus amigos, mesmo
forasteiros, que se queiram associar às festas.
Começaram pela feliz ideia de distribuir os
tremoços e o vinho aos
viandante e quase de porta-a-porta, pela aldeia. Iniciativa inédita, muito bem pensada que tem merecido o melhor acolhimento das populações.
Será bom aqui relembrar que todas as iniciativas são bem acolhidas, desde que haja meios financeiros para as realizar condignamente. Tudo dependerá e muito bem se assim é, dos fundos que a comissão das festas possa reunir.Claro que não poderemos exigir das pessoas que façam grandes festas, se não houver forte contribuição de todos os Beijosenses. Não podemos aceitar que, quem quer que esteja na comissão das festas, as faça à sua própria conta. Isso não seria justo, quando a festa é de todos os Beijosenses e quando todos são beneficiados. Este ano, 2007, os
mordomos, somente dois, organizaram-se de tal forma que, conseguiram brilhar e elevar mais alto o nome de
Beijós.
Será inteiramente justo que devolvamos aos
Mordomos, Victor e Pedro, alguma das alegrias que com a sua coragem e dedicação eles conseguiram proporcionar aos seus conterrâneos. Seguramente que eles estarão super satisfeitos por terem conseguido os seus objectivos, mas também toda a população de
Beijós lhe estará
extremamente grata, o que é de inteira justiça, pelo brilho que as festas de S. João tiveram.
Senão vejamos:
Quando me preparava para encher um garrafão de água no nosso chafariz, para me ir juntar a um grupo de amigos, fui surpreendido pela música de uma aparelhagem sonora, instalada sobre uma vedação de verdura, com ramos de acácia-preta, vulgo
Austrália, que servia de cobertura ao reboque de um tractor agrícola, que circulava na Rua Abade Pais Pinto, do Areal para a ponte do povo, já na fronteira do Areal com o Bairro da Ponte.
Sobre a máquina de tons brancos e vermelhos, viajavam, além do tractorista, três ou quatro pessoas.
Desfraldava uma bandeira nacional, erguida por um dos viajantes, que a balançava de um para o outro lado.
Confesso que nunca assisti à distribuição dos
tremoços. Foi coisa que nunca me motivou a curiosidade, por considerar uma tarefa somenos.
Naquele momento, parei para observar o que se estava a passar com aquele tractor, pensando muito
seriamente que seria uma passagem de publicidade para as festas que se iniciavam.
Ao verem-me, os
mordomos saltaram do tractor e dirigiram-se-me, amavelmente, a oferecer tremoços.
Boa surpresa, porque eu sempre pensei ver a
tremoceira, com o seu carro de mão, como habitual, a distribuir os
tremoços pelas ruas, mas afinal isso tudo estava devidamente organizado e controlado pelos
mordomos responsáveis.
Conversei com eles, confessei-lhe a surpresa e aceitei ver o arranjo do reboque do tractor. Desloquei-me para a
retaguarda do reboque e tive maior surpresa com o cenário que se me apresentou: Na traseira da carroçaria, à direita, uma banheira metálica, cheia de água fresca, com uma torneira no cimo, no lugar onde havia de ser colocado o respectivo raro. Atrás da banheira, encima de um cavalete, um barril de madeira com o vinho, em cuja torneira estava ligada uma mangueira ou tubo de
borracha, o qual, passando por dentro da banheira e mergulhando na água fresca com gelo, ligava à outra torneira que já referi, do raro da banheira, para que o vinho, tirado desta última torneira, chegasse
fresquinho ao consumidor.
Ao lado da banheira, uma gamela rectangular que continha os
tremoços, de onde a Maria da Conceição Borges ia servindo as pessoas que aparecessem. Apesar da surpresa e de me ter apanhado desprevenido, sem vasilha, nem saco para levar os
tremoços, a Quitas do Silvério, como é conhecida, mesmo vendo que ia ficar sem copo para servir os
tremoços, tomou a iniciativa de mo entregar cheio a transbordar. Preparou-se logo para me encher também um copo de tinto, tirado da torneira da banheira.
Atrás da Maria da Conceição Borges estava a sua prima Fernanda que, pelo que me apercebi, ajudava a servir os
tremoços e o vinho.
Enfim!
Anunciavam, realmente, um serão de festa rija em
Beijós.
Que são convívio entre os
beijosenses se
adivinhava.
Àquela hora, cerca das 20,00 h, já as pessoas se movimentavam, para se reunirem na sala de visitas de
Beijós, o recinto das festas, debaixo das
Carvalhas.
Também estava convidado para me apresentar naquele recinto das festas, onde serviram sardinha de graça a quem aparecesse.
Havia surpresa!
Sim! A surpresa que os
mordomos anunciavam nos respectivos prospectos.
Um porco inteiro a rebolar sobre o carvão incandescente, para assar.
Comeram-se as sardinhas, beberam-se muitas bebidas, estas de acordo com a vontade de cada um, que tinha que as pedir em separado.
Porém, a carne do porco no churrasco, só chegou muito mais tarde, para garantir o prolongamento, até altas horas da noite, daquele são
convívio.
Quem visitou
Beijós nesse serão, terá tido ceia maravilhosa e
light por conta das festas.
Como é salutar ver os habitantes de uma aldeia reunidos para conviver.
Pessoas que, há tantos anos que se não viam,
forasteiros que vinham ver dos amigos, conseguiram confraternizar, por uns instantes, naquele salutar ambiente de festa.
Havia muitos voluntários para trabalhar.Toda a gente demonstrava ansiedade de ser prestável e dar a sua ajudinha, mas os
Mordomos da Festa o Victor e o Pedro, que não arredaram pé, terão tido o maior
sacrifício, pois além de terem promovido tão faustoso repasto e proporcionarem aqueles encontros dos
Beijosenses com os familiares e amigos, supervisionaram todo o movimento, garantindo que tudo, harmoniosa e
disciplinadamente, decorresse sem sobressaltos.
Mereceram bem o carinho que lhe foi dispensado.
Garantidamente que os
Beijosenses lhe irão ficar gratos por muito tempo.
Temos que
enaltecer todos os préstimos que eles dispensaram para que
Beijós brilhasse mais uma vez.
Gostei de observar a surpresa demonstrada nas populações das aldeias vizinhas, quando tomavam conhecimento da sardinhada servida de graça em
Beijós, na noite de S. João.
Muito bom exemplo que
Beijós talvez deixe, para todas as aldeias do concelho e até do Distrito de Viseu.
Prevalece, desde há séculos da História de
Beijós, o sangue
beijosense que continua a correr-nos nas veias com o mesmo brio e dedicação de outrora, na arte de bem receber.
Esta tarefa, enraizada em cada um de nós, irá
perdurar seguramente, enquanto houver homens empreendedores e com tamanhas iniciativas como as reveladas pelo Victor e pelo Pedro.
O nosso profundo agradecimento com um forte BEM-HAJA, para ambos!
Com vontades assim,
Beijós será para sempre...
Beijós!
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Que este espírito se eternize na consciência das Comissões vindouras!
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By Willoughby