sexta-feira, março 27, 2009

CAMINHOS DA BEIRA ALTA - Marialva

MARIALVA


Orgulha-se por conservar o que resta do seu velho Castelo.

"O Castelo de Marialva ergue-se num esporão, a 613 metros de altitude, sobranceiro ao extenso vale que constituiu o rebordo mais ocidental da Meseta Ibérica. 
As origens do povoamento deste local são difíceis de precisar por falta de estudos arqueológicos."

D. Afonso Henriques, em 1179, ter-lhe-á concedido Carta de Foral. 

O Castelo marca bem a sua História e o interesse estratégico na defesa da Soberania Portuguesa. 

Realçamos a sua importância, principalmente nas Guerras da Restauração e Consolidação da Independência de Portugal.

»»» No Reinado de D. Afonso VI (1656 - 1683) > ainda na regência de sua mãe,  a Rainha D. Luísa de Gusmão entre as várias batalhas em que os Portugueses sempre derrotaram os exércitos espanhóis, destacamos uma figura desta aldeia, de que nos fala a História, numa delas ter-se-á destacado um filho desta Aldeia, vejamos:- >>> "...Em 1665, dá-se a batalha de MONTES CLAROS, em que os portugueses, comandados pelo Marquês de Marialva e Schomberg, desbarataram completamente o exército espanhol. Esta foi a última e decisiva vitória das armas nacionais. Estava, podia dizer-se, assegurada a Restauração de Portugal." (...) 
Realmente, apesar de aldeia pequena, merece a nossa visita. As pedras do Castelo descrevem muito da sua história. 


Os seus santuários ostentam ricas pinturas e as suas talhas douradas, nos respectivos altares, a par das suas singulares imagens, deslumbram os visitantes.  
No Santuário da direita nós vimos um púlpito no exterior. No dia 01 de Agosto de 2008, é-nos feito o relato dos factos que motivaram a criação daquele púlpito. "Com uma capela minúscula, sem espaço para abrigar todos os fiéis, foi desta forma que a Igreja conseguiu ultrapassar as dificuldades, fazendo as pregações para o exterior, onde as populações se reuniam".  

Além dos templos, no interior das muralhas existe um Cemitério, que ainda é utilizado. 


Nesta fotografia vimos uma espécie de altar. Durante as Cerimónias Religiosas da Quaresma, era colocado ali um Quadro alusivo à Morte e Ressurreição de Jesus. 

Nestas ruinas é notória a destruição das casas que houveram dentro das muralhas. 
Os responsáveis pela Aldeia terão tomado a seu cuidado a defesa do património e evitaram que as populações pilhassem totalmente as pedras das velhas edificações,  para construir novas casas fora do castelo. (1)



O Nosso repórter fotográfico deixou-se apanhar... quando se propunha analisar todo o ambiente que o rodeava.
Nesta fotografia vemos uma cisterna, devidamente coberta, que servia de reservatório de águas pluviais, bem escasso naquela agreste serrania. 
Na ombreira esquerda da porta que vemos nesta fotografia, constam três sucalcos emitando o metro, que outrora tiveram grande utilidade nas medições de bens que as populações teriam que entregar, como décima aos responsáveis pela aldeia. 

 Aqui vemos túmulos cravados nas rochas...

Capela da Aldeia, na parte exterior do Castelo.  


Plourinho, no exterior das muralhas,  mesmo em frente ao gabinete de recepção e apoio ao turismo.
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(Fotos de Maria Regina)
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(1) - A pilhagem das pedras parece não ter sido aqui caso único.
Recordamos o desaparecimento das Pedras do Castelo de Beijós
Não houve ninguém que se opusesse, por isso desapareceram completamente e com elas todos os vestígios da fortificação que terá existido na nossa Aldeia. 

quinta-feira, março 26, 2009

BEIJÓS - Ponte Romana

PONTE DO REDONDO
Esta ponte, antiquíssima, "...tudo leva a crer que seja de construção romana" (p. 91 da Obra Carregal no Coração da Beira, de Hermínio da Cunha Marques).  
Realmente, como podemos observar, esta ponte, sita no lugar do Redondo, Bairro da Tapada, limites do Vale da Loba, em Beijós, é de uma solidez invulgar. 
Suporta bem o peso de todo o tipo de veículos. 

Há bem pouco tempo, por motivos de obras na Ponte do Pisão, que serve a Estrada Nacional 337, no desvio de trânsito, os veículos de qualquer tonelagem passaram por este local. 

Com o decorrer dos tempos, perante a evolução dos transportes, foi sofrendo algumas alterações, para actualização, mas o seu traçado inicial sempre se manteve. Dada a sua robustez, nunca foram notados quaisquer problemas na estrutura dos seus arcos, construídos em granito, com pedras muito grandes, como podemos observar. 

Actualmente serve também, directamente, a Estrada do Penedo, Aldeia do concelho de Tondela, que dista cerca de 3 Km, de Beijós

Esta Ponte é um tesouro que, além da sua utilidade no desenvolvimento da região, muito valoriza o património Beijosense

quarta-feira, março 25, 2009

MENSAGEM PARA A VIDA

SÍSIFO
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Recomeça...
**
Se puderes 
Sem angústias 
E sem pressa.
E os passos que deres, 
Nesse caminho duro
Do futuro 
Dá-os em liberdade. 
Enquanto não alcances
Não descanses. 
De nenhum fruto queiras só metade.

**
E , nunca saciado, 
Vai colhendo Ilusões sucessivas no pomar. 
Sempre a sonhar e vendo
Acordado, 
O logro da aventura.
És Homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças... 
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»» By Miguel Torga

segunda-feira, março 23, 2009

BEIJÓS E A TRADIÇÃO DA AMENTA OU EMENTA DAS ALMAS

Há dois anos que nos propusemos desenvolver este tema. 
Voltamos a falar dele, porquanto é uma Tradição que nos parece estar a desaparecer na nossa Aldeia. 

Outrora, citámos algumas pessoas que enquadraram o grupo da Ementa das Almas. 
Muitas houve que não foram referidas. 
Felizmente que, agora, correndo de boca em boca das gentes da Nossa Aldeia, a mensagem chegou à D. Fernanda, a quem estamos muito gratos, por, amavelmente, nos ter facultado um documento que, religiosamente, guardava, com os versos que um Grupo,  de Homens e Mulheres,  cantava em Beijós e arredores, durante a Quaresma.
  
Vejamos:
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EMENTA DAS ALMAS

I
Ó meu Deus eu venho tarde
Confessar as minhas culpas, 
Pecador arrependido
Vale mais tarde do que nunca. 

II
Lá em cima do Altar-Mór
Está um craveiro na Cruz, 
As folhinhas que ele deita, 
É o sangue de Jesus. 

III
Acordai Fiéis Cristãos
Desse sono em que estais, 
Lembrai-vos das vossas Almas, 
Lembrai-vos delas Lembrai; 
Queira Deus não sejam elas 
Vossas Mães e Vossos Pais, 
Vossas Mães e Vossos Pais, 
É bem que nos lembremos, 
Que havemos de morrer, 
Mas a hora não sabemos. 

IV
Lá em cima do Altar-Mór, 
Está um tanque de água fria,
Onde se lavam os Anjos
E também a Virgem Maria.  

V
Acordai Fiéis Cristãos, 
D'esse sono tão profundo, 
Lembrai-vos das Vossas Almas, 
Que já estão no outro Mundo. 

VI
Que já estão no outro Mundo, 
Na Graça de Deus ficaram, 
E vós estais esquecidos, 
Nem pela Alma lhes rezaram. 

VII
Lá em cima do Altar-Mór, 
Está um Pavilhão dourado, 
Debaixo do Pavilhão, 
Está Jesus Cristo Sagrado. 

VIII
Ó Meu Senhor do Calvário
Vossa Cruz é de Oliveira, 
 Sendo Vós o Mais Lindo Cravo
Que nasceu entre a Roseira.

IX
Meu Senhor da Alva Roxa
Vestidinho de Retrós, 
Ó me dai boa Ventura
Ó me levai para Vós. 

X
À Porta das Almas Santas, 
Bate Deus a toda a hora, 
As Almas lhe responderam 
Ai Meu Deus,  que quereis agora?

XI
Quero que venhas comigo, 
Para o Reino de Glória, 
Ainda não estou preparada, 
Mas... Ai meu Deus será agora? 

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(Autor Desconhecido)
« Cantares de tradição Popular» 
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Dada a solenidade religiosa da Quaresma, a entoação dos versos era feita com voz grave e arrastada, muito lenta, quase como um lamento. 
As vozes do Grupo, saídas do escuro e do silência da noite, acordando parte dos habitantes das Aldeias, causavam arrepios, cuja sensação nos levava,  inevitavelmente, a recordar as Almas dos nossos familiares já falecidos. 
Aliás, a Ementa das Almas tinha e tem essa finalidade, como os próprios versos revelam. 

Esperamos contribuir para que esta tradição se renove, enquanto houver Beijosenses que nos ensinem a música. 

quinta-feira, março 19, 2009

BEIJÓS E O DIA DO PAI

19 de Março, dia de S. José - Dia do Pai.
São José, filho de Raquel e de Jacob.





A Comunidade Cristã Celebra, hoje, a Solenidade a S. José esposo de Maria e Pai Terreno de Jesus.

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Dia propício para recordarmos os nossos Pais.
Poderemos aproveitar este dia solarengo para lhe proporcionarmos momentos de alegria.
Para lhe demonstrar todo o nosso carinho e afecto, melhor presente que jamais poderemos oferecer.
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»»»» A Ti Querido Pai...

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Para todos os nossos estimados leitores desejamos um bom dia do Pai.

quarta-feira, março 18, 2009

BEIJÓS E A PRÉ-HISTÓRIA - Os Homens das Cavernas

É Grande a nossa motivação para as pesquisas do desconhecido. 

Chegámos ao Bairro do Moleiro Novo, na Ribeira. Este local cativou - nos  fortemente. Jamais poderemos deixar de percorrer o mesmo percurso, nas nossas investigações. 

Isso criou em nós forte vontade de prosseguir e de divulgar tudo aquilo que nos anima. 

Ouvimos falar do "CHICO CALDEIRÃO". 

> Foi Moleiro; 
> Foi Pastor;
> E talhante... 


Fomos descobrir as ruínas das casas que ele terá habitado, para Poente do Bairro do Moleiro Novo, na Ribeira, na margem direita do rio, em direcção a Ferreiroz do Dão.  




Em anexos à sua habitação, ele alojava o seu gado, designadamente os cavalos ou jumentos e as ovelhas.  




Ali matava e comia as suas rezes, cuja carne, por vezes, também vendia pelas Aldeias vizinhas.




Na ombreira do portal, ainda vemos as dobradiças que suportaram a porta de madeira com que fechava a casa. 



Nestas casas não havia moinho. Os moinhos que utilizavam estavam mais próximos do leito da ribeira, em local onde as respectivas águas tivessem acesso directo. 





Podemos ver o forno onde cozia o seu pão. 





Mesmo ao lado da porta do forno, descobrimos uma pia, com um furo no fundo, vertendo para a parte lateral. 




Analisando ao pormenor, concluímos que aquela pia, em pedra, foi a masseira, onde faziam as massas e onde o pão levedava. 

Temos que ter em atenção de que, a proximidade do calor do forno, ajudava a levedar as respectivas massas. 




A pia que servia de masseira. 




Aqui é bem visível o furo, para a parte lateral da pia. Quando pretendiam lavar a masseira, não era necessário mexê-la. Bastava tirar a rolha ou vedante e deixar que a água saísse, para o exterior. 
 



A proximidade do rio, facilitava a vida das pessoas. 



Andámos um pouco mais para Poente, na margem esquerda da ribeira,  numas fragas, em local inacessível de outra forma a não ser a pé e, mesmo assim, com muitas dificuldades, fomos encontrar umas grutas, onde terá vivido o "SERAFIM do MIGUEL", com o seu cão  "O Dinheiro".  








As paredes, tudo em ruínas, com o tempo, desmoronaram




Uma espécie de pia, cavada na rocha. Poderíamos pensar que serviu de tigela para porcos, mas, pelo que apurámos, ficou-nos a ideia de que o Serafim punha ali os seus alimentos, punha ali a sua mesa, sobre o resto da rocha e dali comia a sua sopa ...


Aqui vemos socalcos cavados na rocha, na parte exterior da gruta, que fica a cerca de 10 metros de altura, na encosta Sul da Ribeira, para o lado de Cabanas de Viriato. Pelo que apurámos serviram de suporte de madeiras, que suspendiam um telheiro, certamente palhota, porquanto não há vestígios de telha. , 



A gruta não se consegue ver de longe, por estar coberta com a vegetação espontânea e árvores. 



Procurámos passar para a margem direita da ribeira, para investigar outros vestígios.  





Os acessos não são fáceis. O pontão de madeira que une as duas margens está em muito mau estado de conservação. 





Confessamos que chegámos a sentir suores frios, depois de o ter atravessado, porque o nosso sistema nervoso alterou-se, perante o receio de a estrutura partir e, consequentemente, cairmos no rio, em cujo local passariam cerca de dois metros de altura de água, por entre as rochas. 



Antes de atravessarmos o rio, despertou-nos a curiosidade, um suporte de pedra, saliente sobre a Ribeira, na margem esquerda. 



Esta estrutura serviu de apoio, para retirar água de balde, para as culturas naquele local. As pessoas colocavam-se sobre aquela pedra, e com uma picota, com um balde colocado na ponta da vara, lançavam o balde vazio ao leito do rio e, de regresso, suspenso pela vara da picota, içavam-no cheio de água, que, balde seguido de balde, durante muitas horas, em tempos que não havia motores de rega, vazavam e regavam as suas plantações de milho, de batatas, de hortas, etc.  Tudo foi abandonado.  




Na margem direita da Ribeira, fomos encontrar estes rochedos, que formam uma espécie de lapa. 



Aqui se protegeram muitas pessoas, quer do frio quer do calor e até das chuvas. 

Mas esta lapa abrigou muitos dos agricultores que necessitavam de regar os seus campos. 
Ali tiveram que dormir muitas noites, para chegarem a tempo de utilizar as águas da ribeira, antes que outros lhas tirassem primeiro, para as suas culturas. 

Além disso, aquela lapa também serviu de residência do "VIDINHA", indivíduo solteiro, que por ali desempenhava a sua profissão de agricultor. 




Em conclusão, mesmo em pleno Século XX, tivemos bem perto de Beijós, os Homens das Cavernas.

»»» Pensamos que estas ruínas estão integradas no espaço do concelho de Carregal do Sal. A Masseira que apresentámos está ali abandonada, quando poderia muito bem fazer parte do espólio do Museu Municipal.

Esperamos que o nosso alerta traga boas notícias, oportunamente.