O DERRADEIRO ADEUS AOS AMIGOS
Depois de termos lido a mensagem em "Póvoa da Pegada" e em "FAROL DA NOSSA TERRA", e principalmente pelo retrato aqui descrito do Morgado, chegámos à conclusão que tivemos o prazer de registar uma das suas últimas façanhas.
Foi no desfile da Contra-Dança de Cabanas de Viriato, no último Carnaval.
Mesmo no final, quando o tempo ameaçava com chuva, junto da Casa do Passal, aquela que foi a morada de Aristides de Sousa Mendes, apareceu um Opel descapotável, coberto com um plástico que se esvoaçava com o vento e com a deslocação da viatura.
Este carro, já com alguns anos, supostamente, terá ido para aquela brincadeira talvez com pouca vontade, isto a avaliar pela apreciação humana, como se conseguíssemos dar vida e inteligência às coisas inertes.
Seria tão pouca a vontade de continuar a participar da brincadeira, que mesmo ali, em frente ao Passal, talvez com receio do Guarda da GNR que, no local, dirigia o trânsito, a embraiagem deixou de funcionar. Claro que, sem querer, o bom do motorista, que agora concluímos tratar-se do Nosso Querido Amigo Morgado, acabou por dar algum espectáculo e, com o seu Calhambeque despertou a nossa e a atenção de uns quanto populares que estavam por perto. Claro... causou o riso porque aqueles ocupantes tiveram que sair e empurrar o veículo que já perturbava a circulação dos restantes.
Nós não tivemos o grato prazer de privar com o Morgado.
Não tivemos a sorte de nos cruzarmos com ele na sua luta quotidiana, nem sequer no seu estabelecimento. Muito embora, há cerca de oito/nove anos, depois de algumas conversas com o Sr. Dr. Mário Silva, nosso ilustre Amigo e assíduo cliente da casa sempre que passava por Carregal do Sal, tivéssemos entrado no respectivo edifício, sito mesmo em frente ao Santuário da Nossa Senhora dos Milagres, na Aldeia de Laceiras, freguesia de Cabanas de Viriato, concelho de Carregal do Sal, com o propósito de almoçar, em dia que, por sinal, estava encerrado. Mesmo assim, então, alguém tomou a iniciativa de fazer as honras da casa e ofereceu-nos uma visita guiada às instalações, de que gostámos muito.
Enfim!
O que havemos de dizer acerca de uma pessoa que não conhecemos directamente?
Seguramente que, pelo que vemos nas mensagens de condolências que vão desfilando, também nós teremos perdido muito do seu convívio que nunca conseguimos.
Todavia, vendo a tristeza que vai na alma de cada um dos amigos, também com isso ficamos constrangidos. Também a tristeza nos toca à porta.
Agora só nos resta a solidariedade com aqueles que tiveram a honra de com ele privar de perto, deixando esta singular lembrança de uma das suas façanhas, o seu derradeiro Carnaval em Cabanas de Viriato.
Que Deus o recompense na eternidade pelas alegrias que conseguiu distribuir na passagem por este Mundo.
A Nossa Sentida Homenagem!
A Nossa Sentida Homenagem!
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"O “MORGADO”
“Olá baixinha!”… eram as invariáveis palavras com que oMorgado saudava a minha filha, ao mesmo tempo que passava
a mão pela cabeça do meu filho, olhando-os com ternura do alto
do seu metro e oitenta e tal!… Fazia isto com os filhos e netos
de todos quantos os que hoje aqui estamos a dizer-lhe um
último adeus. (...)
Palmas para o Morgado!"
Luís Fidalgo"
Luís Fidalgo"







