domingo, setembro 28, 2008

DE BEIJÓS A SÃO MATEUS - Ilha do Pico - Açores > O que os nossos olhos viram 28 anos depois.

Passear pelos Açores é sempre uma Óptima escolha, pelo singular Paraíso que encontramos.
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Em cada canto há sempre coisas novas para descobrir.
A todo o momento se nos deparam surpresas.
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Voltámos a ver, 28 anos depois, apesar das surpresas que a natureza apresenta a cada momento aos Açorianos, aquelas maravilhas que, então, contemplámos no meio do Oceano, das quais, agora, nos propusemos aprofundar as nossas pesquisas, de cujo facto vamos dar conta aos nossos estimados leitores.
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Desta vez, no dia 6 de Julho de 2008, os nossos Queridos Amigos Picoenses tiveram a feliz ideia de nos levar a ver uma preciosidade, apesar de ter sofrido danos com o tremor de terra de 1998, agora muito bem restaurada e cuidadosamente decorada.
Pelas 17H00, parámos junto da Igreja Matriz de São Mateus, no sopé do Pico da respectiva Ilha. Vimos o exterior do templo e o espaço envolvente.
Todo o asseio e o arrumo daqueles espaços, deixam qualquer visitante estupefacto.
Por cada acontecimento, é erguido um monumento ou colocada uma data, como poderemos observar na frontaria deste
Império, que se situa na parte frontal da Igreja.
O espaço envolvente da Igreja comunica-nos que é local ideal para os festejos da Freguesia.
A escadaria do templo forma um belo anfiteatro, de onde se avista o mar, até onde a linha do horizonte nos permite.
O coreto identifica o espaço cultural onde as populações se reúnem e convivem.
Será este lugar a sala de visitas da freguesia, onde milhares de emigrantes, daquela e das restantes Ilhas, se encontram todos os anos, pelas festas, para conviver com familiares e amigos.

Entrando na Igreja, parece suspender-se-nos a respiração, deslumbrados com as maravilhas que os nossos olhos nos transmitem. Vamos entrar...
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O templo divide-se em três naves:

Esta é a nave Central, onde se situa o Altar-Mor

A nave lateral, direita (a Poente)
A nave lateral esquerda (a Nascente)

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Olhando à nossa volta e na profundidade do Templo a cor e a luz das decorações e das respectivas imagens dos Santos deixam-nos deslumbrados, vejamos:

Bom Jesus Milagroso.

Esta é uma imagem muito especial, para os Açorianos do Pico

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Coroa do Divino Espírito Santo

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Não podemos deixar de realçar o brilho, o gosto que é demonstrado pelos singulares arranjos florais.
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Vamos entrar no Baptistério


Quadro alusivo ao Baptismo de Jesus

Pia Baptismal > riquissima cantaria em mármore.
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Maravilhosa esta visita...

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Parabéns às populações de S. Mateus, pelo Monumento que possuem e, como ninguém, tão bem sabem preservar.

sexta-feira, setembro 26, 2008

DE BEIJÓS A LAVOS > Para relembrar uma fase da História de Portugal, no espaço que acolheu um dos seus protagonistas.

Reinado de D. Maria I - A Piedosa
(1776 - 1816)
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"... A Raínha D. Maria I Sucedeu a seu pai, o Rei D. José 'O Reformador'.
Porém, perante os desgostos que sofrera, em 1791, terá sido atacada de doença mental. Por isso, seu filho D. João, passou a governar Portugal, em nome da mãe, até 1796, altura em que assumiu definitivamente a regência do Reino."
Foi no Reinado de D. Maria I, que se verificaram as Invasões Francesas.
Contudo, recuando um pouco no tempo, para melhor esclarecer as suas causas e consequeências, convém aqui realçar:
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"GUERRA COM A ESPANHA E FRANÇA
Em 1750, ainda no Reinado de D. José, estalara a guerra dos sete anos entre a França e a Inglaterra. Aquela Nação, invocando o chamado Pacto de Família, desejava o nosso concurso contra o poder naval da Grã-Bretanha. Portugal recusou-se com o fundamento de ser aliado da Inglaterra. Por tal motivo, tropas francesas e espanholas invadem a província de Trás-os-Montes (1762).
Mas o exército portugês, organizado pelo Conde de Lipe e sob o seu comando, conseguiu expulsar do território nacional as tropas invasoras, até que, no ano seguinte, se assinou a paz pelo tratado de Paris."
(...)
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"CAMPANHAS DO ROSSILHÃO:
Em virtude das tremendas atrocidades que se desenrolavam na França, muitas nações revoltaram-se contra aquele país, especialmente a Inglaterra, que era a mais empenhada na luta. Espanha e Portugal resolveram também entrar na guerra. Em 1793, invadiram a França, e começou a Campanha do Rossilhão, que se manteve até 1795, data em que a Espanha, sem concultar Portugal, assinou a paz com os franceses.
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PERDA DE OLIVENÇA:
Portugal, no entanto, fiel aos seus compromissos, mantinha-se firme ao lado da Inglaterra, a quem enviara uma esquadra que, juntamente com a armada inglesa, tomou parte na grande batalha naval de Aboukir, inglória para a França.
Em face do sucedido, a represália da França, governada nesse tempo por Napoleão Bonaparte, não se fez esperar. Em 1801, Portugal foi invadido por numerosas tropas espanholas e francesas, já amigas e agora aliadas.
O inimigo entrou pela fronteira alentejana, tendo conseguido apoderar-se de Olivença, que a Espanha nunca mais nos restituiu.
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BLOQUEIO CONTINENTAL:
Napoleão, grande general, imperador dos Franceses, pelas vitórias que havia conseguido contra a Áustria, Prússia, Itália, Rússia, etc, julgava-se o senhor absoluto da Europa. Em Julho de 1807, é chegado o momento de impor o Bloqueio continental. Em obediência a esta ordem, todas as nações europeias deviam encerrar os seus portos aos navios britânicos.
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TRATADO DE FONTAINEBLEAU:
O príncipe regente D. João, inspirado na vontade do seu povo, não cumpriu as determinações de Bonaparte.
Tínhamos perdido Olivença e podíamos sofrer mais reveses, mas dignificávamos a nossa aliança, franqueando os nossos portos à Inglaterra.
Como o nosso regente, à vista de novas insistências, continuasse a não transigir, Napoleão assinou com a Espanha o Tratado de Fontainebleau (27 de Outubro de 1807), pelo qual Portugal seria repartido pela Espanha e pela França.
Para tal efeito, tinha a nossa Pátria de ser conquistada o que não foi possível ao grande general francês.
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PRIMEIRA INVASÃO FRANCESA:
A fim de ser executado o Tratado de Fontainebleau, Napoleão mandou invadir Portugal (1807) com um exército de 30 mil homens, comandados por Junot.
O inimigo tinha penetrado pela Beira Baixa e chegara até Abrantes, em marcha sobre Lisboa. No dia 30 de Novembro de 1807, entrava o invasor na Capital. Começaram então os roubos, os atentados, os assaltos às igrejas, repartições públicas e casas particulares. O país não podia sofrer semelhantes violências. Surgem as primeiras manifestações de revolta contra a dominação estrangeira. É chegado o momento de agir. O Porto levanta-se em armas, e, a seguir, as províncias do Minho e de Trás-os-Montes. Pedem-se depois auxílios à Inglaterra que nos envia um corpo de exército comandado por Artur Wellesley, depois duque de Wellington.
(Depois de ter desembarcado com as suas tropas, cerca de 13 mil homens) nas Praias de Lavos - Figueira da Foz, Artur Wellesley montou nesta casa o seu quartel general)














(Aqui se constata a homenagem prestada pela Sra. Presidente da Junta de Freguesia de Lavos, aquando do segundo centenário)
As nossas forças, juntas às inglesas, atacam os franceses, que são derrotados nas batalhas de Roliça (Óbidos) e Vimeiro (Lourinhã). Em Agosto de 1808 é assinada a Convenção de Sintra, pela qual Junot e as suas tropas foram obrigadas a sair de Portugal.
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>>> Observação - Três dias antes da entrada dos Franceses em Lisboa retirou-se a família real e a corte, por decisão do Conselho de Estado, para o Brasil, à data Colónia Portuguesa. Houve tempos em que este acto foi mal julgado pelos historiadores. Hoje, já ninguém desconhece as vantagens que deste atinado acto político advieram para o país. Se a família real não se tivesse ausentado, podia ter sido desacatada ou feita prisioneira, o que seria um grande desastre, pois, nestas condições, D. João ver-se-ia forçado a assinar quaisquer condições que lhe fossem impostas.
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SEGUNDA INVASÃO FRANCESA:
O imperador dos Franceses, que se não havia conformado com a derrota de Junot, organizou outro contingente de tropas, comandadas pelo general Soult, e determinou nova invasão a Portugal.
O inimigo, desta vez, entrou por Chaves, passou a Braga, e, em Março de 1809, assenhorou-se da cidade do Porto.
As tropas Portuguesas agruparam-se logo; chegaram novos reforços de Inglaterra; tudo se preparou para a vitória. O exército anglo-luso, dirigido superiormente por Wellesley, atacou o inimigo, investindo contra o Porto.
Soult, reconhecendo a inutilidade da resistência, fugiu desordenadamente e abandonou o país.
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>>> Observações - Quando os franceses entraram no Porto, deu-se uma grande catástrofe: - A população citadina, sobressaltada, encaminhou-se para o Rio Douro, a fim de o transpor através da ponte das barcas que existia nesse tempo. Esta abateu, e milhares de pessoas cairam ao rio morrendo afogadas.
Tal acontecimento é conhecido por - o desastre da ponte das barcas.
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TERCEIRA INVASÃO FRANCESA
Napoleão era teimoso; não perdia a ideia de conquistar Portugal. Por isso tentou uma última cartada. Alinhou as suas melhores tropas (85.000 homens) comandadas por Massena, e, em Agosto de 1810, Portugal foi invadido pela terceira vez.
O exército francês entrou por Almeida e avançou sobre o Buçaco, onde o esperavam os soldados anglo-lusos sob o comando de wellington, e ali se deu a grande batalha (27 de Setembro de 1810) em que os franceses foram completamente derrotados. Massena, com o resto da sua gente, conseguiu fazer uma retirada e tentou avançar sobre Lisboa. Mas estacou diante das Linhas de Torres Vedras, onde sofreu nova derrota. Começou a debandada do inimigo, que, passando a fronteira, fugiu em direcção ao seu país. As tropas anglo-lusas, já aliadas da Espanha, que se tinham desavindo com Napoleão, perseguem Massena através da França e entram vitoriosas em Bordéus e Tolosa. Com esta terceira e última invasão terminou o periodo do domínio napoleónico na Península.
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>>> Observações - Esta luta, em que os aliados se empenharam contra os franceses, é conhecida na História pelo nome de Guerra Peninsular.
No sítio onde se travou a formidável batalha do Buçaco encontra-se levantado um Obelisco (monumento) em comemoração desta nossa vitória."
( ....)
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CONSEQUÊNCIAS PARA PORTUGAL:
Por a família real Portuguesa ter sido forçada a deslocar-se para o Brasil com a sua Corte, esta ex-colónia Portuguesa, veio a tornar-se independente em Setembro de 1822, cuja independência foi reconhecida em 15 de Novembro de 1825, pelo rei D. João VI.