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terça-feira, novembro 04, 2008

DIA DE TODOS OS SANTOS > 2008 > EM BEIJÓS

Dia 01 de Novembro de 2008, data em que a Igreja Católica Celebrou uma vez mais a Festa de Todos os Santos.
Em Beijós, sendo já tradição, das Celebrações fez parte a Procissão ao Cemitério Paroquial da Freguesia, para rezar pelas Almas de tantos Beijosenses ali Sepultados, antecipando as cerimónias do dia dos Fiéis Defuntos (02.NOV.).
Para estas celebrações, os Beijosenses esmeram-se em ornamentar as sepulturas, com arranjos florais.






Muito embora os Beijosenses façam brio em manter o Cemitério ornamentado com flores durante todo o ano, é nesta época que mais se esmeram na preparação das Sepulturas dos seus falecidos, deixando-as impecavelmente arranjadas e alumiadas.
Estas tarefas, normalmente, iniciam-se no dia 31 de Outubro e seguem-se pela manhã do dia 01 de Novembro, antes da Cerimónias. Depois, todos os Beijosenses da Paróquia (Beijós, Pardieiros, Póvoa da Pégada, Póvoa de Lisboa e Póvoa de Entre Ribeiros), enchem completamente a Igreja para estarem presentes na Celebração da Missa.
No final da Missa, como habitual, todo o público se deslocou em cortejo para o Cemitério.

Enquanto este cortejo percorria o espaço entre a Igreja e o Cemitério, os sinos, no alto do campanário da Igreja Matriz, dobraram, em sinal de luto, convidando ao recolhimento e à oração.
O público Beijosense, terminadas as Cerimónias, permaneceu a rezar junto das sepulturas, até ao escurecer, como ainda podemos observar nas fotografias que difundimos.





Durante a noite foi possível admirar a beleza que o Cemitério nos ofereceu, com centenas de luzes.
Foram centenas de velas, que iluminaram todo o espaço Sepulcrário.

»»»» Neste dia, os Beijosenses espalhados por todo o País e alguns vindos do estrangeiro, deslocam-se à sua Terra Natal, para participar nas Cerimónias Religiosas. Esta quadra também é aproveitada para estabelecer são convívio entre familiares e amigos, muitos dos quais permaneceram à conversa, por alguns momentos, no largo em frente à porta do Cemitério.



TOQUE PELAS ALMAS:



»»»» Outra tradição que ainda se mantém é o toque dos sinos, também a dobrarem, no mesmo dia (01.Nov.), já pela noite dentro, para convidar os Beijosenses a rezar pelas Almas. Além do significado que encerra, é muito bom preservar e dar continuidade aos usos e costumes que os nossos antepassados nos legaram.

quinta-feira, julho 12, 2007

2 - OS CINQUENTA ANOS DOS SINOS DA IGREJA DA PARÓQUIA DE S. JOÃO BAPTISTA DE BEIJÓS

Lá no alto do seu campanário, os sinos da nossa Aldeia, substituindo os velhinhos, lá estão desde há cinquenta anos a cumprir cabalmente a sua missão.
Aliás, muitas das suas funções de outrora deixaram de se realizar.
Lá vai o tempo em que as horas e 1/2 horas, na nossa aldeia, eram assinaladas, com um maço (um martelo de ferro) a bater no sino grande.

Um relógio mecânico, movido com duas cordas de sisal, que suspendiam dois grandes pesos de pedra. Estes pesos eram o motor: um para fazer trabalhar o relógio; o outro para impulsionar os carretos que movimentavam o martelo para bater no sino, às horas e às meias horas.
Havia uma casa, revestida a zinco, instalada sobre o telhado da Igreja, ao lado do campanário , onde se encontrava instalado o mecanismo do relógio, propriamente dito.
Uma estrutura de madeira, colocada no coro da Igreja e no rés-do-chão, ao lado direito da porta principal,
para prevenir os acidentes pessoais, vedava a manga onde os pesos, suspensos pelas referidas cordas, se movimentavam .
Uma vez por dia (...) o Sacristão ia dar corda ao relógio, fazendo com que os pesos subissem até junto do respectivo mecanismo, sobre o telhado. Durante o dia os pesos iam descendo no seu percurso até ao fundo, impulsionando o relógio.

Foi pena ter-se substituido este relógio, pelo electrónico actual, e pelas campânulas instaladas sobre o campanário.
Na vizinha Paróquia de S. Cristóvão, de Cabanas de Viriato, foi restaurado o velho relógio, idêntico ao que Beijós possuia, e lá continua a marcar o tempo. Talvez tenha sido obra do Sr. Padre José Júlio, que chegou atrasado a Beijós, para também aqui poder preservar esse património.



Noutros tempos, às 06,00h da manhã, lá estava o Sacristão abraçado a este pilar do meio do campanário, que suporta os dois sinos, para dar o toque da Avé-Maria.

Ao meio dia, lá estava ele outra vez, para dar o toque do meio dia, no Inverno às 12,00h e no Verão às 13,00h.

Ao anoitecer, havia sempre o toque das Trindades, sinal que o dia acabava, para os trabalhos nos campos.

Pelas 21,00/22,00h havia, diariamente, o toque das Almas, para lembrar às populações os seus ente-queridos já falecidos.

Estes toques
deixaram de se realizar , porque o modo de vida das pessoas se alterou. Os responsáveis foram trabalhar para longe da Aldeia, onde passam a maior parte do dia, e não podem deslocar-se para efectuar os toques.

É pena não se manter esta tradição, numa Aldeia onde a Igreja foi o seu maior tesouro e fonte de difusão da sua cultura, a par com a Escola.



Há diversos toques tradicionais, dos sinos em Beijós.

O toque repenicado dos sinos, em dias de festas, e em momentos muito solenes, como aquando da realização de casamentos e baptizados.



Os toques de um só sino a dobrar, balouçando de um para o outro lado, assinala que se vão realizar cerimónias religiosas.
Para as Missas Dominicais ou em Dias de Santos de guarda, normalmente, são dados dois toques com o sino pequeno, e um com o sino grande, este seguido de dois piques, um no sino pequeno outro no sino grande.
Cerca de meia hora antes do início das cerimónias (Missa...) é dado um pique só no sino grande, para alertar os fiéis e chamá-los para estarem presentes no início das celebrações.
(Em dias festivos, isso é assinalado com repenique ao fim de cada entrada).

O sinal mais triste é dado, quando morre algum paroquiano, cujo facto é anunciado pelo toque dobrado, feito com o baloiçar dos dois sinos, para um e para outro lado, alternadamente.

Quando morre um homem, este sinal repete-se três vezes. Se morrer uma mulher o toque repete-se duas.
Depois, mantendo-se a tradição, a seguir ao sinal de que alguém faleceu, se a pessoa for de Beijós são dadas duas badaladas no sino grande; se for de Pardieiros, são dadas três badaladas; de for da Póvoa da Pégada são quatro badaladas; para a Póvoa de Lisboa são dadas cinco badaladas, para as pessoas da Póvoa de Entre Ribeiros, penso que eram dadas seis badaladas.


Para a realização dos funerais, os sinos tocam da mesma forma como para as restantes cerimónias, toques idênticos aos de chamarem as populações para as Missas.



Todavia, os sinos dobram da mesma forma, oscilando alternadamente, para um e para outro lado, enquanto decorrem os cortejos fúnebres, até ao Cemitério Paroquial de Beijós.


É de realçar que, foi tradição na Paróquia de Beijós, talvez que ainda se mantenha, quando morriam crianças com idades até aos 12/13 anos os sinos, em vez de dobrar, repenicavam, com toque idêntico aos das festas.
Estas pessoas eram sepultadas em lugares muito especiais, reservados no Cemitério Paroquial.

Para que conste, já que falamos de funerais, para as pessoas solteiras, na Paróquia de Beijós, o funeral era realizado com caixão ou urna brancos.


quinta-feira, abril 12, 2007

OS CINQUENTA ANOS DOS SINOS DA IGREJA PAROQUIAL DE BEIJÓS



Com o decorrer dos tempos e com muito uso, os sinos da Igreja Matriz de Beijós começaram a apresentar algumas rachas.
Deixando de garantir a devida segurança, já nem dobravam. Pelo menos o sino grande passou a ficar imóvel no alto do seu campanário. Quando havia algum funeral, o seu toque, uma vez que tinha que se manter imóvel, não podia oscilar, respondendo ao “TEM” do sino pequeno, era feito somente com badaladas.
Os toques foram assim durante alguns meses. Até que, em 1956, um punhado de homens beijosenses, entre eles destacaram-se o José Tamancas e os filhos, António e Florindo, que Deus os tenha no Seu Eterno descanso, deitaram mão à obra, arrearam ambos os sinos do campanário da Igreja da nossa Terra e lá os mandaram para a Fundição de Sinos de Rio Tinto, de L.M. da Costa – Porto.
Assim, sinos velhos viraram sinos novos.
Pela Páscoa do ano de 1957, já a Igreja de S. João Baptista de Beijós possuía novos sinos, reconstruídos com o bronze dos sinos velhos.
O silêncio que durou por muitos meses foi, finalmente, interrompido.
O Domingo da Aleluia foi a data escolhida para inaugurar os novos sinos da Igreja Matriz de Beijós.
O seu toque maravilhou todos os Beijosenses e passou a animar as festas religiosas na nossa aldeia.
Naquela altura, homens e mulheres, novos e velhos, todos se deslocavam junto dos sinos para admirar o seu brilho dourado e os tocar, com os repeniques da festa que, apesar de ter muitas paragens durante o dia, ainda se mantêm um pouco no Domingo de Páscoa.
Então, a Cruz, para fazer a visita pascal, saía sempre da Igreja Paroquial da Freguesia.
Durante muitos anos, as Póvoas, da Pegada, de Lisboa e de Entre-Ribeiros, tinham a visita Pascal também no Domingo de Páscoa.
Os Pardieiros, conjuntamente com a Casa do Pisão, onde moravam a D. Elizinha e os filhos, D.ª Mariazinha e o João, eram visitados na Segunda Feira da Páscoa.
A Cruz era levada da Igreja Paroquial pelo sacristão de Beijós, para as Póvoas e Pardieiros. Por isso, enquanto a Cruz estivesse na Rua, quer no Domingo, quer na Segunda Feira, os sinos da Igreja Paroquial de Beijós mantinham-se, permanentemente, a tocar.
Não é em vão que a maior parte dos beijosenses sabe repenicar o sino. É no Domingo de Páscoa que se disponibilizam para treinar um pouco esses toques.

Boas tradições. A juventude deve preservar esta sã convivência.

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(P/ Willoughby)